sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Cansaço



Não vou mais cantar-te, musa de outrora,
Deixo-te a lembrar, em claro abandono,
Do tempo em que eras minha senhora,
Bem antes de inspirar-me apenas sono.

Mas procuro ser grato, e sem demora
Pelo que fizeste, antes desse outono.
Fizeste chorar, em lira sonora,
Versos de um bardo que era cão sem dono.

Já posso, agora, enfim, partir tranqüilo:
Se deixei em ti a minha semente,
Que se foi tremendo, a pedir-te asilo,

Ela agora brota, não mais dormente,
Cresce nos recantos do teu estilo,
De ser alheia e fugir de repente.


Francisco Settineri.

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