terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sereia




Nasci pro escuro sonho de uma ausência
Quando me olhei no céu do teu sorriso,
E se me vi lutar co’ essa premência,
Eu nunca fiz as vezes do indeciso.

Se tanto amei teus olhos de improviso,
Muito te quis pra mim, e sempre urgente,
Corrias, escapando sem aviso,
Fugias só de mim, tão insurgente.

E eu, que já exausto sobre a areia,
Penava, em tua ausência embaraçada,
Colho-te, em pleno mar, numa cadeia...

Tu paras de fugir, descompassada,
E vens, com esse teu jeito de sereia,
Bem presa em minha rede, amordaçada.


Francisco Settineri.

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