sábado, 8 de outubro de 2011

Soneto de Esquecer Tristeza

                                                                     

Olhava-me no espelho e não mais via
Senão do rosto antigo o lado triste,
E nesse anoitecer, que já partia,
Em luz de claro olhar em mim sorriste.

Esqueço desse tempo tão vazio,
De estio atroz, de não vingar semente,
Pra nunca mais pisar em chão baldio
De vida que se fez dilacerante,

E abrir-se à doce paz de estar contente.
Mas foi no que deixei de ser estranho,
Quando lembrei de ser somente amante,

Que cruzaste, morena, o meu caminho,
Partiste de outra vida, alma distante,
Chegando a minha vida como um sonho.


Francisco Settineri.

Nenhum comentário: