quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Soneto da Viola



Tu trazes, em teu corpo, a delícia
Da nau que vai pro mar, aventureira,
E eu faço do teu leito uma lareira
Que aquece o coração, desde a primícia.

Retiras as tuas vestes sem malícia
Como se fosse, aos céus, a vez primeira,
E nesta linda aurora alvissareira,
Espero em muda paz a hora propícia...

Eu sonho com a beleza com que abordas
As mãos a te buscar, sereno tento,
Na hora em que tu dormes, e que acordas,

E faço do teu corpo um instrumento,
Viola do querer, em muitas cordas,
Sempre a tanger-te, em novo encantamento!


Francisco Settineri.

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