domingo, 6 de novembro de 2011

Soneto do Desprezo




Louca d’amor, tão lânguida e vencida,
Nem lembra a convencida, desalmada
Que me lançava à lágrima dorida!
Agora vens tão terna e deslavada

Falar que me amas mais que a própria vida.
Hoje tu me dizes, mais que encantada
Que a tenho inteira, e fica agradecida
Se suspeitar que ainda a quero, amada.

Desejo a musa decadente, ingrata,
Já desfeita, a meus pés, mulher sofrida.
Se o meu corpo, de ti, ora se farta

Segue contigo o inferno da descida:
A dor de ser só minha inda te mata,
É assim que te quero, nua e batida!


Francisco Settineri.

3 comentários:

sirley v.alves disse...

Um verdadeiro achado... esses belíssimos poemas!

Wérlen M. dos Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wérlen M. dos Santos disse...

Belíssimo soneto. Parabéns!!!