sábado, 19 de maio de 2012

Claro Escuro




Ao luar, numa varanda
Ilumina-se o teu rosto
E é com mínima ciranda
Que de longe sinto o gosto...

Mas se ouço, de outra banda
O teu riso bem disposto
Minha altivez desanda,
Com meu brio assim exposto.

Contudo, se nos tomamos
A cantar claro dueto
Entre as sombras desses ramos

O olhar perdura quieto.
Entre as trevas nos amamos:
Explode em luz o soneto!


Francisco Settineri.

Um comentário:

METAMORFOSES disse...

Meu caro Francisco!
Muito bom o poema Claro Escuro!
Seus versos:
"Minha altivez desanda,
Com meu brio assim exposto." e, em especial: "A cantar claro dueto
Entre as sombras desses ramos" transbordam musicalidade!
E... Não há como não recordar do poeta gulloso, mas de algum brilho, Ferreira Gullar! em seus versos iniciais do Poema Sujo:
"escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)"