sábado, 23 de junho de 2012

Soneto do Absinto



Um verso que carece de atitude
Não deve ser escrito, a vida mata
Quem quer que o faça assim, à pena ingrata
E não entregue a alma a essa virtude!

Se eu tive em solidão a vida rude
Explica a fome assim, e a insensata
Paixão que não freada se desata
Porque eu te amei assim, sempre e amiúde!

Nas mãos tão delicadas de Florbela
A lira que ressurge, nunca extinto
O beijo que calado guardou nela

E o verso que não disse, e agora sinto...
Eu pinto em arrebóis a mansa tela
E a bela estrela invade o meu recinto!


Francisco Settineri.

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