quinta-feira, 14 de junho de 2012

Soneto Encadernado


Vem pra mim, Aneli, na estação fria,
E traz contigo o teu encanto quente,
Mas faze o teu pendor tornar presente
O manto, assim enfeitado de alegria...

Despe-te, pois, de alguma vã sombria
Tristeza que tornava a alma doente,
Que adiava o amor, assim, tão de repente,
Inaugurando a insípida heresia...

Olha de novo e agora sem enfado,
E sem o fardo amargo da distância.
Olha pra mim, tenho tanto te amado

Tanto que até parece desde a infância,
Eu sou agora um livro encadernado,
Mil versos para ti são elegância!


Francisco Settineri.

Um comentário:

Alice Baruch disse...


Um livro encadernado ...
Tão mais valioso pode ser...
Traz o zelo e o carinho que alguém sente por ele..
Tornaste uma relíquia em cujas linhas, se faz verso e reverso..

Um livro encadernado nunca será rasgado... queimado ... leiloado
Vendido a preço de mil réis...
Até porque um livro que fora encadernado...
Guarda mais valor simbólico...
Do que mil moedas de ouro valheriam...

Receio aqueles que abandonam seus livros...
Os rejeitam por outros mais novos...
Não vêm valor em experiências antigas..
E preferem o novo que nem passaram os anos ...
Para que suas experiências forem validadas...

Enfim : quem encadernou seu livro...
Ganho prêmio e louvor por esmero..e, aonde for...
Será lembrado pelo que for...
Seu livro encadernou!!

Alice Baruch