quarta-feira, 6 de junho de 2012

Soneto Peregrino



Eu trago em mim um deus que chora e dança,
Entrega-se a cantar, sem amargura
E, mesmo ao luar, quando a tortura
Da pura sombra triste da lembrança

É aquela em cujos braços fui criança,
Agora a habitar desfeita jura...
Talvez se tu soubesses como é pura
A paz do meu amor, que é sempre mansa,

Quiçá tu me tirasses do degredo,
Livrando na minh’alma o meu divino
Olhar que se apascenta no arvoredo,

No encontro dos teus braços o destino...
Quedado em teu olhar o teu segredo,
Persigo o meu sonho peregrino!


Francisco Settineri.

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