domingo, 29 de julho de 2012

Soneto do Feitiço



Se eu me detenho a te cantar em verso,
Fado cansado de uma longa vida,
É na esperança de ver bem cumprida
Toda a saudade que me pôs diverso...

Pois foi no altar em que me tens converso,
Vestal descalça, em ânsia desabrida,
Que me despiste, como na partida
E fomos do pudor a seu reverso...

Além de tudo, eu tomo toda em prenda
Moça distante que demais cobiço
E no arrebol, que é rico como a lenda

Desceu o sol, e junto com o sumiço
Mostraste a mim a pele envolta em renda,
Pensaras ser imune ao meu feitiço...


Francisco Settineri.

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