sábado, 25 de agosto de 2012

E, se não?




Todo dia tem sua noite.
Alguns carros passam,
voltam para casa.
Na rua deserta, apenas o desmaio
dos gritos das crianças da escola.

Todo claro tem seu obscuro.
Não buscar soluções definitivas.
Aquelas marcas, antes não percebidas
no papel,
tornam-se insuportáveis.

Todo gesto tem seu tempo.
As valsas. 
Dançadas, e as que ficaram para depois.
Braços e pernas vibraram
elásticos
no movimento das bailarinas.
Geometria cor-de-rosa e sucessões.

Toda vida tem sua morte.
Vida de mil lances
acumulados. 
Pouco resta deste mundo
que foi teu corpo.
Até a memória, a esquecida,
desvanece
pouco a pouco.


Francisco Settineri (1981).

Um comentário:

Alice disse...


Amigo

Todo verso tem o seu reverso...

A direita tem sua esquerda...

A rosa tem seu espinho,

A matilha tem um líder


Na rua tem a escadaria

que decerto sairia num deserto...

a claridade rebuscará as trevas

e a madrugada fria, nunca aquece quem dela pernoita;

Mas se os ventos na lousa fria repousam

É por que ouvem frenidos enluarados...

Dela que de longe espera,

Seu cavaleiro errante,

que virá a lhe procurar...

Vira as costas: ignora-o, e chora

caladamente, sussurando que fiques de vez,

Mas nem bem chega já se foi,

E, tudo o que findara, novamente aquieta-se, deita-se e espera...

Que o reverso descubra, o seu verso! que o dia repouse na noite, e o noivo retorne à quem lhe apraz...

Abçs...