quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Soneto Estremecido



Desafio a paz e busco-te na fonte
Em que banhas, calma, os pés, tão docemente
E o clamor que está nas vestes não desmente
A centelha que me acende a noite insonte...

Pois tu foste para mim novo horizonte
A se abrir feito uma rosa à minha frente
E se o encontro de nós dois foi indecente,
Firme abraço entre essas almas foi a ponte.

O zeloso olhar na pele quer a vida,
Mas a fria lança finca a terra e ofende
E ressoa solta em versos, distraída

Nesse mar de cal fatal que ao ar resplende,
Eis que a letra é seca lágrima esquecida
E o silêncio é grande e até ao céu se estende!


Francisco Settineri.

2 comentários:

Ana Martins disse...

Francisco, boa noite!

Simplesmente maravilhoso este soneto.
Parabéns!

Alice disse...


De fato...

Enebria - a alma encanta;

Recordações de dias passados a limpo,

esvaziaram-se a memória...

deletaram os sonhos...

Acabaram de enterrá-los num jazigo

chamado solidão.

Boa noite Francisco