domingo, 9 de setembro de 2012

A Teia




Voltar no tempo, amor, ai quem me dera
Tornar a ver teu belo olhar já triste
E não lembrar do tempo em que partiste
A desfazer aos céus nossa quimera...

A tarde era nostálgica e severa
E o simples traje esbelto que vestiste
Continha em si o ardor de um verso em riste
Na noite solitária à tua espera.

Mas hoje na saudade me acompanha
Por mais que afaste o mal em tantas preces,
O atroz andar no breu da mesma aranha

Que tece ao ar a dor de que padeces:
É a perda que comete uma façanha
E afaga a mansa paz com que anoiteces...


Francisco Settineri.

2 comentários:

Mauricio Keller disse...

Olá amigo,
mais um poema extraordinário. Você é muito inspirador. Possuis uma sensibilidade muito viva.
Como já disse estou em aprendizado. Estou estudando muito a ciência poética e gostaria de confirmar as minhas anotações. Veja se não precisam ser melhorados, metricamente, os seguintes versos:
4 - Ficou com uma silaba tônica na sétima.
5 -Ficou com silabas tônicas na 7 e na nona, criando um verso de dodecassílabo.
Veja na escansão parcial:

4 - A (des)fa(zer) aos (céus) (no)ssa qui(me)ra... (2, 4, 6, 7, 10)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

5 - A (tar)de (e)ra nos(tál)gi(ca) e se(ve)ra (2, 4, 7, 9, 12)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

Grande abraço!

Dulce Morais disse...

A saudade... uma das mais dolorosas sensações e uma das mais propícias a inspirar bela poesia, como esta!