sábado, 22 de setembro de 2012

Pantomima




Do esquecimento frio, que poderia
Trazer de novo a paz ao velho alento
Restou apenas pó largado ao vento
E o nojo atroz em plena maresia...

Mascara-se o algoz na confraria

Que audaz já decapita o sentimento,
Galope que inaugura o violento
E atira aos céus quebrada urna vazia...

A praga da memória que desmaia

Naufraga movediça nos meus medos
Que boiam entre escolhos nesta praia

Por entre malhas, algas e enredos:

Nos céus, a tempestade grita a vaia
E a vaga que arrebenta em teus rochedos!


Francisco Settineri.

3 comentários:

Alice disse...


A memória vasculha o temor que um dia a deixou só!

Todos se foram:seus melhores amigos... mas Faltou-lhe coragem... tímida moça ... família rígida... tinha pouco a desejar... sonhava e suspirava, apenas.

Era infeliz a donzela.

Um dia seus pais de acidente também se foram.

A liberdade sobreveio...e a menina tomou o rumo do vento Norte...e partiu .

Chorou ...sofreu ...amargou.

Foi ser babá... o pouco que lhe sobrou, não podia se dar ao luxo de alugar um cantinho... Viu no jornal do quarto barato de perto da Rodoviária. Precisa-se de babá: responsável , de bons modos... fiel e honesta.

E assim começou.
hoje passados 30 anos. Acumulou experiências em casas alheias...até que viu sua chance de ir mais longe.... e foi trabalhar na cidade luz!!

De lá um pulo para Portugal, donde tinha parentes...reencontrou-os bem; e foi ficando...Um primo distante a viu, e com ela quis ter.

Hoje vive feliz. Nem se lembra de onde nasceu: Pra que ??

Recordar nem sempre é viver!

Abçs...Francisco.

Fiz um complemento de seus versos,
adequando uma personagem...bye

Anarita disse...

Muito bonito Francisco beijos

Rosa Inês Westphalen disse...

Como sempre, Settineri, uma maravilha!