sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Soneto do Desdém




Sem saber que tu eras fruto da malícia
Triste fui por breve tempo, e à revelia
Ao deixar-me arder nas brasas de uma inércia
Retirada enfim danosa fantasia...

Mas a aurora renascida na distância
Foi legado de uma alma que queria
Recobrar-se num crescendo de elegância
Ao safar-se da penumbra e a chuva fria...

Do passado, a leve sombra que desenha
O desdém de um dar de ombros, gesto largo
Já remove do meu ar esse feitiço,

Da dolência deste canto o tom amargo:
Uma dor, que se existiu, deu-se ao sumiço
E a alegria que me inspira e que me empenha!


Francisco Settineri.

Um comentário:

Dulce Morais disse...

O desdém do soneto deixou algo amargo no boca da leitora. Não faz mal, é normal! É o poder de tão bela escrita que se manifesta e comunica o que o poeta deixou transparecer...
Parabéns pela excelência do seu trabalho, Francisco!