sábado, 27 de outubro de 2012

Floração de Outubro






Outubro floriu duas rosas,
Foi no dia vinte e nove
(Ora quente e ora chove)
Elegantes e vaidosas!

Sorridentes, primorosas
E o relógio não se move,
Sua ausência me comove
Se não sorrirem, manhosas...

A amizade que as irmana
Deita ciúmes nas rivais
Nunca passa uma semana

Sem que as deixem para trás:
Marizélia e Germana
Duas rosas, querem mais?


Francisco Settineri.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Soneto Dolorido




Limpei dessa vacância o rosto incerto,
Das tulhas da emoção a hera morta
Clepsidra que se esvai, não mais importa
Se a noite já avançou e estou desperto.

Doídas as distâncias no deserto,
Assombram-me as esperas nesta porta
Destila-se a fumaça na retorta,
Fantasmas infernais que estão por perto!

Geômetra do tempo, eu vi agora
Segundos a correr, os kamikases
E o dia assim cansado vai-se embora

Mirando a Lua tola em suas fases:
É insana essa sintaxe que me atora
E a falta dolorida que me trazes!


Francisco Settineri.

domingo, 21 de outubro de 2012

Costureira




É sempre no meu dedo que se crava
Na falha do dedal em seu feitiço
A agulha que não quer mais ser escrava
E o sangue a rebrotar virou cediço...

Mas quando enfim o adorno se bordava
E as cores já surgiam em seu viço
Alçava em seu vigor pétala flava
Domínio enternecido a seu serviço...

É assim que da palavra ora não peço
Que poupe a tenra carne do seu aço
Mas cada pano bom que agora teço

Obrigue-se a bailar nesse compasso:
Se nada em meu abraço é adereço,
Fulgura a letra e o tom sem embaraço!

Francisco Settineri.

sábado, 20 de outubro de 2012

Poema de Aniversário






Eu sabia que a criança quando cresce
Guarda em si um pouco o resto de um sorriso
Mas pergunta por que então é sem aviso
Que o que tinha, que era flor, então fenece...

É no ocaso que essa têmpera padece,
Pavilhão de uma memória que eu aliso
Nesse verso imaterial em que deslizo
Que a centelha do poema agora tece!

Minhas mãos também remaram por um Norte
Que pairava deslumbrado sobre mim,
Mas o barco estava entregue à própria sorte

E a viagem estava longe do seu fim:
Pois de haver algo maior que a própria morte
Não sabia ser capaz de amar assim...


Francisco Settineri.