quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Visagem




A porta atrás do tempo nessa volta
Da chave que o segredo assim revela
Esconde o anagrama e dentro dela
A tropa da saudade se revolta!

E a potra se rebela e mais se solta
E livre ela se torna ainda mais bela,
Recusa de antemão qualquer tutela
Do trapo de razão que sempre escolta...

E o parto da emoção foi de improviso
Na tarde que de outrora estava morta
Partido no arrebol mais um sorriso,

Paleta de clarões que o céu comporta
Mantida nas comarcas do impreciso
Espectro a me esperar, quem mais se importa...


Francisco Settineri.

domingo, 18 de novembro de 2012

Anjo Torturado






Nessa torre já morou uma princesa
Em vagares de aflição e puro encanto
E se hoje a hera cresce como um manto
Ainda verte, ao luar, delicadeza...

Era pura nos seus traços a beleza,
A causar em toda a parte enorme espanto
Mas oculto era pra todos o seu pranto
Que escondia, por sua íntima fineza.

Ela só amava o mar, a inflada vela,
Não queria mais saber de um pretendente,
O seu sonho acalentado na procela

Era o céu, era o trovão, era a corrente!
A volúpia do não ser, que era só dela
Acabou nos verdes campos, que acidente!


Francisco Settineri.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Soneto das Margaridas





A paz trouxe a alvorada, a terra as lidas
E esta manhã me disse que é amarela
A pétala soberba e tão singela
De que se vestem ao céu as margaridas!

Nos campos em que elas são nascidas
Os grãos da alegria a vida sela,
Nenhum temor se acha nessa tela
Mas mãos que já se juntam agradecidas.

Fabrico de uma flor a primavera
Invento o teu amor que é só por mim
Nos brilhos dessa tarde que venera

O louco ardor que invade até o fim,
Ruínas do passado em ara e hera
Em prolongada espera, azul assim...


Francisco Settineri.