quinta-feira, 18 de julho de 2013

Réquiem



Cantar eu não quis mais em verso rude
A olhar com destemor, intacto e quedo
Recolho a brisa que corre em segredo
Disposta a desnudar qualquer virtude.

Contemplo as minhas mãos, para que mude
A espera que me toma desde cedo
E pus-me a deslizar, então sem medo
Por entre agudas pedras da inquietude...

Aferro-me a um sinal, que de saída
Furtava-se à noção e parecia
Desenterrar a dor mais desabrida

Vertido em tom de olhar que a luz copia,
De uma sombria tela, tosca e ida
Roubei a cor que não te pertencia...

Francisco Settineri.

domingo, 7 de julho de 2013

Sentinela



Imerso na neblina o vulto inquieto
Engasga na distância que o separa
Do gesto que se esvai, pétala rara
Sem escapar do inclemente veto.

Douradas as veredas no indiscreto
Tremor de uma palavra que era cara
Que o zelo esconso da memória avara
Insiste em apartar-se por completo.

Não fosse por um laço, amarelo
E mais eu não teria se não fosse
Um desatar de nós sem atropelo

Da noite em riso azul que assim tomou-se
No deliciar dos dedos no cabelo,
Passado a escorregar, que era tão doce...


Francisco Settineri.