sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

NOSFERATU



Do avesso do meu verso a sintaxe
Que muito e tanto é sempre infringente
Profana tudo, ao cravar o dente
Na veia, como se a veia amasse...

Torcido e simples como o incunábulo
Da incurável espiral do sonho,
Tu tens em ti um quê de andar medonho
Cansado ar de feno no estábulo...

Incitas à mais pura hemorragia
Que encontra em meus caninos o seu dreno;
E o teu colo macio é o mais sereno,
Pudor maior, quem imaginaria?

Torpor da noite eterna que apresenta
Teu corpo ali jazendo à própria sorte,
Depois de fulminado pela Morte
Que viva vaga em véu, nada avarenta!


Francisco Settineri.

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