domingo, 6 de abril de 2014

Marinheiro Só



Não quero aportar, mas somente esquecer
Do brilho espanto que me deixou mais néscio
E transformou as minhas noites em vício
Ah! Negra voltagem de não mais morrer!

Marinheiro da memória, que não vai
Além da escuma furiosa do mar alto
Da primeira vez, o coração aos saltos,
Foi te contemplar, e a memória não sai,

Não sai: nada impede que a brusca centelha
Da branca e crespa crista da onda alta
Derrame-se por onde o convés ressalta
A falta vil que cravaste em mim, parelha!

Não quero voltar e receber teus braços,
Nem voltar a enlaçar tua cintura
Ver as velas, engasgado da paúra
De antever no peito a frieza do aço!


Francisco Settineri.

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