terça-feira, 23 de setembro de 2014

Penumbra



Indagas, com teus lábios, minha mente,
No rosto retirado de Carrara
E sempre que me olhas tão de frente
Assalta-me - improviso! - a canção rara!

É como o sobressalto de quem sente
Nos lábios a volúpia de uma garra
E as veias, onde corre o sangue quente,
Preparam a canção numa guitarra...

E os olhos, como se entre si falassem
Da pura e bela flor que se vislumbra

Nas mãos, como se tontas viajassem,

Enceta-se a carícia que deslumbra.
E sonham, como se essas mãos sonhassem,
Na cálida inocência da penumbra...



Francisco Settineri.

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