domingo, 28 de setembro de 2014

Insônia



Soam horas, e a noite, lentamente;

Vai-se a recordação, tensa vigília
Eis que perscruto ou olha-me a mobília

De qualquer forma é dor sempre mordente.



Pingentes dos cristais, brilho aparente,

A foto em sépia vinda da Sicília

Muda a lembrança da esquecida homília

Que nada diz e deixa indiferentes!



Rola na plebe a algaravia inculta

Tudo parece mera hipocrisia

Alegria alheia que tanto insulta


O terno abraço que ganhei um dia:

Dança e lamenta a lágrima insepulta
E que prolonga ao mais essa agonia!





Francisco Settineri.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

indessência



Goldrar as alternas
e limar um lisinho
forçar a semântica
até que ela expluda
e solte um caldinho.


Francisco Settineri.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Penumbra



Indagas, com teus lábios, minha mente,
No rosto retirado de Carrara
E sempre que me olhas tão de frente
Assalta-me - improviso! - a canção rara!

É como o sobressalto de quem sente
Nos lábios a volúpia de uma garra
E as veias, onde corre o sangue quente,
Preparam a canção numa guitarra...

E os olhos, como se entre si falassem
Da pura e bela flor que se vislumbra

Nas mãos, como se tontas viajassem,

Enceta-se a carícia que deslumbra.
E sonham, como se essas mãos sonhassem,
Na cálida inocência da penumbra...



Francisco Settineri.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NUDEZ


A mulher de casaco amarelo
Que despede a sua echarpe no leito
E me faz mais pensar-me um eleito
Quando expõe esse lábio tão belo!

Uma dama que atinge este feito
Quando as outras se põem no castelo,
É a esta memória que apelo:
Cada uma se despe de um jeito...


Francisco Settineri.