sábado, 13 de dezembro de 2014

Soneto




Se o forte abraço é dado à minha bela,
A primavera feita em luz consente
O vasto céu que já se fez presente
Com tanta cor dentro de uma aquarela.

É só a mão que não se sente bela,
A pena insiste e o coração sente
Que a vez é dada ao meu verso demente
De vez que escapa, louco, de uma cela!

Eu peço à Dama o seu mais fundo e forte
Condão que enlaça, cego e que se estreita
Na maravilha que lhe apraz ao norte

Que orienta toda a paz e aceita...
Pois tu vieste, assim, de toda sorte
Assim desnuda, assim luar, desfeita!


Francisco Settineri.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Reflexão Nº1





Não entregues o peito assim a um tormento

Quando o dia recém nasce e já te espreita

Longe, longe de te deixar num lamento.



Busca do fundo do teu ser o alimento,

Bebe do cálice da vida e aproveita;

Não entregues o peito assim a um tormento.



O céu que te protege é o elemento

E ao ver-te de tão longe, se deleita

Longe, longe de te deixar num lamento.



Seria em vão deixar esta vida ao vento

Pois o pó no qual se torna ao pó se deita,

Não entregues o peito assim a um tormento.



Miragem no deserto é o elemento

Que o fez solerte e fátuo como a seita;

Longe, longe de te deixar num lamento.



Vá no revoar das aves teu acento

E o preito de alegria as terá refeitas.

Não entregues o peito assim a um tormento,

Longe, longe de te deixar num lamento!



Francisco Settineri.