terça-feira, 31 de março de 2015

Bordado



Não foi teu rosto, linda Janaína,
Foi o olhar. Olhar que perco, assim
E que me deixa - perdido de mim.
A dor de estar tão longe, inquilina

Das trevas, que abolem a menina
Que foste, entretida no jardim,
Sentada em tom de cor, azul, cetim
Que agora se despede nessa esquina...


Francisco Settineri,

terça-feira, 17 de março de 2015

Domingão




No país da arrelia
Se ajuntaram mil malucos,
Barafunda de eunucos
Em total estrepolia!

Tinha corno e tinha puta
Não faltava era jerico,
Pela volta dos milico
Se inflamavam nessa luta...

O que teve de alma tola
Pululando pela rua
Tinha até mocinha nua
Desfilando para a rola!

Foi de provocar espanto
E ficar bem taciturno
Verdadeiro quarto turno:
Fiquei quieto no meu canto...

A bagunça era bela,
Mas virou o dia seguinte
- E o diabo que te pinte! -
Foram todos pra novela!


Francisco Settineri.

sábado, 14 de março de 2015

Flâmula



Bandeira de um adeus que mais se agita
No desmazelo azul da luz que vela
E a dor imaculada era singela
Espuma que o céu cospe e o mar vomita!

Palavras ecoadas, mão aflita
Na busca do esquecido na janela
E o lenço encarnado que era dela
Puiu-se no calor que ao toque incita...

Destapas sem pensar o colo ardente
E o véu que te cobriu não permanece
Por mais do que a luxúria inebriante

Que basta pra mortalha que se tece:
És mais do que infernal, inda que ausente
Pois roubas toda a paz e a noite desce!


Francisco Settineri.