domingo, 26 de abril de 2015

Canção de Volta



Saudade de te olhar, minha bonita
Da bela mão que linda me tocaste
Amor no claro-escuro, no contraste,
Cabelos amarrados numa fita...

Na música do vento inda levita
Perdido assim no quarto, como um traste
O beijo dado a mim, em que te inflaste
E o choro com que olhavas, tão aflita

O tempo que passava, sempre vindo...
Os versos de emoção que agora faço
Não são pra te dizer que o amor é findo,

São só pra te estender de novo o braço
Na dança em que te enlaço, abraço lindo,
A minha dor não dança no compasso...


Francisco Settineri.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Novo amor



Que se passa quando passas ao meu lado
E das nuvens verte sempre tanto espanto
Pois me esqueço até mesmo do meu canto
E que estou sempre ao teu lado emocionado

Por saber do teu olhar assim ornado
Da precisa lucidez que afasta o pranto
Como se nas tuas mãos houvesse o manto
Que tapasse o meu ocaso em lindo fado...

Quem me dera nunca mais amar de novo
Esquecer do teu sorriso a nova lua
Era como, essa manhã, não mais te amasse

E anunciasse o deslembrar a todo povo
Era como, ao te esquecer, não fosse tua
A canção de amor pra ti na minha face!


Francisco Settineri.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Canção de maio



Eu canto nas manhãs por onde vago
E amo essa tranquila paz do outono
Por onde me despeço em abandono
De tudo o que restou dentro do pago.

Eu trago a este sonho em que te afago
A noiva seminua no seu trono
E beijo a minha gueixa em seu quimono
Pois sinto o seu ardor no andar pressago.

É raro o esplendor da coisa fina
Que deixa em toda parte a sua fragrância
E lança, por sua íris cristalina

A grande calma de um amor sem ânsia
Assim que vejo esbelta essa menina
Serena, porque é flor na paz da estância!


Francisco Settineri.