sábado, 30 de maio de 2015

Tensão





Devo dizer que à noite você me dói
Teu rosto de melancolia
Tua presença breve
Nada senão tu me consola


Francisco Settineri.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Crochê



Na velha saga em tanta crua sorte
Fui te encontrar como uma destra lenda
E te tomei como se avista a prenda
Com tanto ardor que eu já me vi mais forte

E então valente no que enfrenta a morte
Que já me espera em sua molesta senda
E sem torpor de quem procura a fenda
No lesto afã de quem calcula o corte!
 
Nas tuas mãos em seu vagar obscuro
Algo se some e em seu segredo tece
Augusta malha que detém o impuro

E nada foi que teu condão esquece
Estou presente em teu amor futuro
E no teu longe o teu olhar me aquece...

Francisco Settineri.

domingo, 10 de maio de 2015

Cambada de mentecaptos



Bem mais dócil do que um cão
A tecer mil maravilhas
Que capengam velhas trilhas
Manifesta-se o Lobão.

Muito antes de crescer
E julgar que era gente
Tolo, jerico e doente
Inflamou-se o bom Lasier!

Antes cedo do que tarde
Cada qual com seu bolor
De mãos dadas com Jabor
Abana o rabo o Mainardi.

E a justiça fescenina
Já mostrou-se indecorosa
Quanta grana se gastou
Nas latrinas do Barbosa?

Abraçada com o Itaú
Ressurgiu bela menina
Sem pintura esta Marina
Mas levando um bom tutu!

Finalmente e coisa e tal
Surge o espectro de Aécio
Desde cedo tolo e néscio
Qual boa-pinta nasal!

Francisco Settineri.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

alados



foi assim
eterna, nesses campos
eu te disse
o quanto eu já te quis
a pele branca
dominar

e foi assim
que me tomaste
e eu te tomei
tornei-me o teu olhar
foste ao luar
e fui azul

Francisco Settineri.