domingo, 9 de abril de 2017

Bandeiras




Quando dois de nós charlamos na matina
Sempre forte, bela e linda é a poesia
Cada vez que um tijolo é assentado
E um doutor trata com zelo a moça fina
É o silêncio deste povo a romaria.

O juiz decide o caso em breves linhas
E tu perdes ou não perdes o que tinhas...

Eu dedico esses meus versos à coruja
E ela dá a letra certa pra sua cria.
Mas tu cantas quando fritas na panela,
Que outra coisa não seria poesia?

Não seria essa lira a dita cuja?

Cada vez que te busquei foi encantado
E te olhei desfeita em risos na janela
Cada povo e suas bandeiras, alegria,
Não esqueçam que isso tudo é poesia!
.
 
Francisco Settineri.

Cotovia




Teu encanto foi tão belo enquanto eu canto
E o teu viço me deixou assim tão mudo.
A coragem de te olhar deixou parado
Quem nasceu e nem sabia o que era pranto!
Mesmo assim, eu não sabia que era tudo,
Só sabia que piava e era alada!


Francisco Settineri.

Perdidos





Eu sei que tu não és mais cor-de-rosa
O corpo já perdeu o seu encanto,
Mas sempre te procuro em cada canto
E te acho e fico sempre bem mais prosa!

O belo se perdeu em cada tosa
E mesmo assim eu quero em cada pranto
Delícias eu relembro em cada manto
Que nos manteve envoltos em mimosas!

O tempo nos levou em avarias
Teu viço me deixou assim tão mudo
Coragem de te olhar deixou parada

A bela e grande multidão de fadas...
Fui belo e hoje tenho essas mãos frias,
Mas sempre o amor nos teve de mãos dadas!
 .

Francisco Settineri.