domingo, 4 de dezembro de 2011

Soneto da Noite sem Fim




Eu quero te dizer aqueles versos
Saídos dos meus lábios na esperança
De ver em teu olhar brilhos esparsos,
Teu rosto com um jeito de criança...

Eu busco em tua pele os universos
E faço das palavras uma dança.
Cantares para ti, dos mais diversos
Em lira de um amor que não se cansa!

O beijo na estação foi um começo
Guardado na memória em urna linda
E cada vez que à noite eu adormeço

Celebro te encontrar, minha bem-vinda,
As mãos sempre a buscar seu endereço,
Ternura de um embate em noite infinda...


Francisco Settineri.

Melancolia




São as nuvens. Elas me contam de um passado
De pequenez e da distância. No vazio
Esfiapado da memória eu sinto o frio
E minto, frente ao espelho, de estar enlevado...

O manto de um velho fantasma empertigado
Me assusta. E me provoca ao mesmo arrepio
Trazido na noite da infância pelo pio
Da coruja, em agudo véu mal-assombrado!...

Em tristeza, arrebol e no arrebatamento
Da saudade que vaga, inútil, no mistério,
O coração perdido chora num lamento

Coa memória coalhada de cemitério.
Repousa no orvalho o mais simples, vão tormento
A se entregar a seu enredo, em seu império!


Francisco Settineri.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Soneto do Desamparo




Diante de ti eu plano em ar suspenso,
Silêncio a ter sabor que me arrepia
Olhar a florescer, doce magia
E um belo amanhecer, que logo incenso.

Mas entre as tuas mãos resto indefenso,
Se paira em tua fronte a nostalgia,
Eu busco abrigo em ti, na ventania
Em vívida presença é só o que penso...

É triste o meu amor, no desamparo
De um mar que tem na alma uma sombria
E tarda vastidão em travo amaro.

Eu sofro, ao querer da tirania
A prece com que aflito me declaro
Ser teu, como única valentia!


Francisco Settineri.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Doce Ninfa




Erva verde e cachoeira,
Vai descalça essa menina
De maneira matutina
Num afã de brincadeira...

Leva um verso na algibeira
E um sabor de tangerina,
Não há nada que defina
Ela ser desta maneira!

Arrepia-se ao contato
De um carinho primoroso,
Escapa do meio do mato

Um doce grito dengoso,
E o resto do seu recato
Eu desfaço, impetuoso...


Francisco Settineri.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Soneto da Serenidade




Eu quero te falar da grande paz
Que às tuas mãos serenas eu oferto,
Ao ver que estás comigo, e tão de perto
Desperto para um sonho mais audaz!

Talento de esplendor que é bem capaz
De um raro brilho em cor a céu aberto
Ao tempo de deixar a descoberto
Silêncios de uma sombra tão fugaz.

Lembraste de esquecer a dor que é tua
Na noite que contemplas, constelada.
A brisa branda cobre a pele nua

E os nossos pés nos guiam pela estrada,
Um quieto olhar, que brilha à luz da lua,
Lavoura do dizer, sem dizer nada...


Francisco Settineri.

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...