quinta-feira, 25 de abril de 2013

Lamento da Leitoa




Depois de tanto ele bater sem dó
O meu coitado rabicó gemeu
Eu já nem sei como ele não morreu
Ficou chorando ali no canto e só...

Indignada com esse trololó
Que fez do nosso céu azul um breu
Tudo por artes desse asmodeu,
Fui na polícia pra fazer um B.O.

Ele não acha mais que é o Vladimir
Nem mesmo em Pound ele não mais se arvora
E não é mais o meu porcão de outrora,

O que eu faria para o redimir?
Faço lambança só pra distrair
Dessa tristeza que no cocho aflora...


Francisco Settineri.

domingo, 21 de abril de 2013

Manifesto da Leitoa




Assine embaixo, contra esses malvados
Que sacrificam meu porcão enorme,
Porque publica seu bordão disforme
Querem-no frito, assado e temperado...

Eu só queria era saber o truque
De que se valem os endiabrados
Pra bater tanto, tanto em seus costados
Fazer pilhéria em todo o facebook!

Pois meu leitão, sempre a buscar na banha
Um bom motivo pra fazer carinho,
Trata a leitoa leve e de mansinho
Junta dois versos - logo ele se assanha!

Ele dedica a sua revista
O mesmo ardor a defecar fanzine
E qualquer um que ali discorde e opine
Ele fuzila com sua raiva mista!

Porque meu porco amado é bom partido
E quando apanha é pura gritaria,
Ele é meu Mestre e eu sua maria
Por isso dói escutar seu gemido...

Rogo que poupem meu pobre suíno
Mesmo que ponha a sua bosta em versos
E no focinho borralhos diversos
É um bobalhão, mas é o meu menino!

Peço alforria pro leitão que enfada
Cujo poema é sempre indigesto
Por isso trago humilde manifesto,
Assine embaixo, e muito obrigada!


Francisco Settineri.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Covil



Por uns trocados, que hoje ele reclama
De alguns otários da sua seara
Ele reúne na rezinga amara
Atroz fanzine que ele mesmo trama!

Pois aos grunhidos o leitão se inflama
Recorta versos com tesoura ignara
Se no jantar ele se ajunta a vara,
A corja aplaude quando a baba exclama...

E astucioso, ele não cobra, é claro
O cocho podre em que a cambada pasta
E o verso alheio que a má-fé arrasta
Ele o copia com respeito avaro.

Mas no seu olho e na espaçosa banha
Vê-se um infecto querer ser preclaro
Modesto agora, pra vender mais caro
Ao demo a alma cheia de artimanha...


Francisco Settineri.

sábado, 13 de abril de 2013

hospício




No pátio do hospício

um homem procurava refilfar

fitotas plúribas…

Milgava, grisnava

nomeava e sostenia o milro

intonogável

aos decagramas.

Depois explicou:

as boeiras pálidas

das nítidas junqueiras

barbosam da selva impenetrada!

Bocejou, cansado, na guabilinda,

e sonocansadeou
 
 
Francisco Settineri.

domingo, 7 de abril de 2013

Abstrações Abstrusas



As glivantes petrais toam parafastas
Por implúridos desvãos tredagolados,
Quiolos rústicos zunem por todos lados
Dromeiras infantes tornadas infaustas.

Ao tremisolar arrebóis, as gofastas
No dominó guarfiliante dos guisados
Golam pútridas, inermes, aos dosados
Zelos utópicos das vias nefastas!

Pedras de retrás, as molas poliandras
Avocam para si as tmeses de antanho
Enquanto as ventosas ganham novas tandras!

Zulcam nítidos os trons do vertiganho:
Pois se rulfam incontestes as calandras,
Sede de dizer maior que o meu tamanho!


Francisco Settineri.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tetê de aniversário



Teresinha quando nasce
se esparrama pelo chão
o amor da minha amiga
me faz bem pro coração

Os pastores dessa aldeia
já me fazem zombaria
Ficar longe da Tetê
Reconheço, é uma fria...

Mas desista desta empresa
Se não for um cara sério
Pois a mão da Teresinha
Não foi feita para otário!

Misturei o limão n'água
e o refresco foi singelo
Os peixinhos já gritaram
Viva Teresinha Melo!
  


Francisco Settineri.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Centauro



Indaga os céus a ímpia mão que afronta
Dos cascos decididos o eco forte
Ao escapar do desnorteado corte
Que a adaga lhe prepara como conta.

Discípulo do olhar que sério ensina
A desprezar a lassidão travada
Deteve a emoção desenfreada
No inerme caos da inóspita ruína...

Da vastidão o nítido consorte
Sucede ao nímio ardor pela aventura
Insânia e temporal que não têm cura
Cravado ao nervo o aguilhão da morte!

Ginete do atropelo em campos vastos
Coberto de altivez nessa amplitude
Impacto e explosão, eis que amiúde
Espalham-se ao luar os pelos bastos...

Então ele se avulta no tormento
Que é, na busca que a si mesma gera,
Seguir o rasto dessa escura fera
Memórias apagadas pelo vento...



Francisco Settineri.

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...