poesiaportoalegria
Blog de poesia porto-alegrense. Poemas de amor de Francisco Settineri. Thanks ever so much!
sábado, 26 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Soneto do Esposo
Gosto do teu jeito doce
De me chamar de Francisco
Por menos que me alvoroce
Quando em tuas ligas me arrisco...
Gosto do teu jeito doce
De um ai, quando te belisco,
Ao antever que antes fosse
Me deliciar no petisco!
Gosto também dessa tua
Ternura de eternamente
Andar, assim, sempre nua
E quase a deixar demente
O homem cuja alma é tua,
Quando o encaras de frente!
Francisco Settineri.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Soneto do Caravançarai
Eu sou poeta, e tenho em meu ofício
O leve fardo de cantar em verso
O amor sereno que há nesse universo
Sem que se faça dessas letras vício.
Por isso canto, e há nesse bulício
O suave toque que me tem converso;
Fico a teus pés, mas sem orgulho, imerso
Pois que senão seria um só suplício...
Mais do que um porto, ó minha donzela,
O teu seio é um caravançarai
Onde rebrilha a mais tranqüila estrela
Que mansa, quando a caravana vai,
Um doce brilho em teu olhar revela:
Renasce o amor e enfim a noite cai.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Soneto da Mansa Inquietude
Abate-se de dor o que era tão contente
E busca na lembrança as cores do arrebol,
Perdido na procela sem nenhum farol,
Sem ver em teus olhos a luz, nem de um poente...
Eu firo na guitarra as cordas mansamente,
Mas lembro do teu corpo envolto num lençol
E toda esta lembrança brilha como um Sol
Que chama a tua volta com a fome urgente!
Mas o que me atropela é o que bate no peito,
Navego em memórias de carinhos infindos
E busco-te de novo, ainda que sem jeito...
Se por ciúme nos tornamos desavindos,
Quero pra sempre ter teu belo corpo, eleito
E na insônia procuro os teus cabelos lindos...
sábado, 19 de maio de 2012
Claro Escuro
Ao luar, numa varanda
Ilumina-se o teu rosto
E é com mínima ciranda
Que de longe sinto o gosto...
Mas se ouço, de outra banda
O teu riso bem disposto
Minha altivez desanda,
Com meu brio assim exposto.
Contudo, se nos tomamos
A cantar claro dueto
Entre as sombras desses ramos
O olhar perdura quieto.
Entre as trevas nos amamos:
Explode em luz o soneto!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Soneto da Ternura Infante
Perdoa-me se só lembro o beijo rubro
Guardado, ileso, na estante da memória,
Pois foi ele que sagrou a vera glória
De uma grata noite no final de outubro!
Pois se só de rosas hoje enfim te cubro,
É porque tu refizeste toda a história
Dos momentos em que estive na miséria
E do amor que a cada dia em ti descubro...
No peito calou o grito lancinante,
Mas não deu lugar à mansa calmaria.
Em teus soberbos olhos eu bebo, amante
E livro dos meus sonhos toda agonia:
Nos grandes embates de ternura infante
Renova-se o lindo cais desta alegria!
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Soneto do Amor Desatado
Se a noite traz um frio que é distante,
Escuto da saudade a sinfonia
E sinto pena mesmo da alegria
Do coração que um dia foi radiante...
Pois se no amor me mantenho vibrante,
Desfilo na memória a galeria
Porém claudica a minha ousadia
E a cada signo teu fico ofegante.
Tentei levar o amor para o olvido
E o nada inspirou essa cantata.
Tomado num orgulho desabrido,
Por fim eu sucumbi à fúria inata.
Tu tens, enfim, meu lábio emudecido,
Tomado, em cada nó que se desata!
Francisco Settineri.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Soneto para Ti
O meu amor por ti logo varou a noite,
Nas longas horas alegres de brincadeiras;
Mas se nos pusemos logo a trocar besteiras,
Nos esquecemos depressa da vida o açoite...
Tantas foram as risadas, até as sete,
Era uma insônia no frio e muitas asneiras
E foi pelas teclas, de todas as maneiras
Que entre as letras da vida despiste a veste!
Não sei se um dia retirarei a rebarba,
Destas sandálias os escrúpulos incertos,
Se desculparás a minha atitude acerba
Na faminta impaciência diante dos apertos.
Desfeita, enfim, a tola e toda e vã soberba,
Perdoa, se abusei dos teus braços abertos!
Francisco Settineri.
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