domingo, 28 de agosto de 2016

Lira à Solta






Se eu faço alguma bravata,

Deixo a lira correr solta,

Vira e mexe ao céu revolta,

É que o verso é um acrobata



E pra mim doce cantata.

O poeta está à solta

E te quer, amor, envolta

Nos perfumes desta mata!



Pois foi belo conhecê-la,

Tão singela e tão secreta

Em defesa cidadela.



Entre a luz e borboletas

Eu construo uma capela,

Escancaram-se as cornetas!





Francisco Settineri.

sábado, 27 de agosto de 2016

Sonata em G Menor





Algumas coisas devem ficar só nos sonhos,
Quando a noite vem, em falsa calmaria.
Pensa, pensa antes de agitar demônios!

As cicatrizes são a marca dos lanhos,
Dos espinhos que findaram tua alegria,
Algumas coisas devem ficar só nos sonhos...

Não deixes, no entanto, cerrar em teu cenho
O ódio ao outro que fez impetrar vilania,
Pensa, pensa antes de agitar demônios.

A leveza é maior que a dor que transponho,
Ser vingativo muito mais feriria,
Algumas coisas devem ficar só nos sonhos.

Não te deixes governar pelos hormônios
E o furor de mil fuzis da companhia.
Pensa, pensa antes de agitar demônios!

Assim, vai e celebra em taça de estanho,
Toma em doçura aquela que merecia,
Algumas coisas devem ficar só nos sonhos,
Pensa, pensa antes de agitar demônios!

Francisco Settineri.

Doce Veneno




Assim como um milagre em plena mata
Eu quero ver teu pelo assim sereno,
Na primavera em flor é tão ameno
O pleno que tuas mãos estão à cata...

Vens toda para mim, e a musa acata
Que eu cante aqui teu corpo tão moreno
E beba de um só gole esse veneno
Da bela que pra mim é uma cicuta!

A corça que comove a quem a cace
Impede a dor, a fúria que se exalta
E as lágrimas que escorrem pela face

Salgadas, são o mantra da tua falta.
O sonho que morreu não há quem lace
E ao ver-te assim tão nua a sede assalta!


Francisco Settineri.