domingo, 4 de janeiro de 2015

mansa espera



a minha amada tem sorriso leve
que a vida estreita em total silêncio
despe-se lenta em meu claro início
e eu me inauguro em vida mais breve.

a namorada de quem nunca atreve
roubar um beijo, ainda que fictício
constrói no peito o maior suplício
de quem não sabe se ainda deve

rasgar o selo e devotar a lira
de quem se entrega, náufrago e dormente
pronto pro fim que dessa vida tira

o ornamento, néscio, impertinente!
a namorada que no leito inspira
a minha mão, feita de riso ardente!!!


Francisco Settineri.

Nenhum comentário: