segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Primavera





Eu amo os teus lindos olhos perdidos
Que se vão pelas janelas de cores
Bem mais que solenes, mais do que as dores
Tão mais que clássicos, verdes, contidos!

Eu temo tanto perder o sentido
E os bons carinhos de excelsos amores
De tantas malícias de claras flores
Com que nua tu tens te assim vestido!

Ah! Vem de novo, clama pela paz
Dos acontecimentos da mudez
Com que vais te entregar de jeito audaz

E lançar fora a tua timidez,
Jogar tua roupa de modo fugaz
E te dar a mim com pura nudez!


Francisco Settineri.

Tanka 2




Em qualquer lugar da cidade
Tomando cerveja
Gosto de estar com vocês


Francisco Settineri.

sábado, 21 de novembro de 2015

Filigrana

.


Os teus cabelos 
constrangem a madrugada 
a verter brumas, 
barcos e festejos. 
 
Buscas, com finos dedos 
no leito imaculado, 
algo ainda mais invisível 
que o pecado.
.


Francisco Settineri.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nave






terno é o teu sorriso e o olhar que diz

que venham

todas as manhãs bordadas

tantas

louca tu jogaste à noite

o manto

nua tu te deste ao meu

sereno canto

corpo à imensidão do céu

celebro

vento que te aquece e que se vão

cabelos

nave é minha mão em que teus dedos

cabem

sonha a minha língua

com todos, beijos,  

sempre, quentes

com teus beijos!

 .

Francisco Settineri.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Outra Vez



Luta! Não há rascunho
de cautela! De nada serve
a vida assim em paz!
Eu sei que me acobardei
um dia. Nefasta vez que pouco fui capaz! Não, eu não quero mais sentir o medo.
O medo de ser sempre avassalado. É preciso sair do caos, tutela. Desta infinita voragem, no abdome. Da aranha, numa vesga tarantela. É preciso voltar a ser soldado. E lutar, fazer jus ao renome. A criança retirada da fome. Na arquitetura concisa da favela!

Francisco Settineri.

sábado, 14 de novembro de 2015

Bálsamo


No albor dessa distância dos mares
Tão sensitivo, feito de esperança e a um tempo temor
O poeta augura o pó do caminho das estrelas
Via láctea como um leito linho esplendor
Que se demora austero como a passagem das horas.

Porque ninguém te amará como eu, sereno nas madrugadas frias
E ouvirá as sereias e cobiçará agarrar-se a teus cabelos
No desespero assombrado da noite grande e coalhada de orvalho

Teus olhos brilham como esferas líquidas e solitárias.
Elas nunca, nunca, cicatrizam,
Em seu negrume brilhante, armado de dor.

Mas minhas mãos, em teu silêncio, farão com que murchem os espinhos dos cardos
Que conheci bem antes de construirmos de mãos dadas o ansiado ninho.

E haverá aves tétricas gritando, tenebrosos pesadelos no mar,
Ilhas mortas de perigos horrendos e rochas sem vida
Até que venham nítidas e flamantes as cores da manhã.


Francisco Settineri

Para Luís


.

Vinte anos esta noite
Eu vibrava no hospital
Que estivesse longe o mal
Tinha medo deste açoite.


Hoje para mim és tudo
Minha alegria é farta
Quero que tua vida parta
E teu pai que fique mudo.


Hoje me dás alegria
Só de ver teu ar sereno
Teu tamanho de heleno
Tua voz de melodia.


Muitos anos neste mundo
Uma vida bem risonha
Para esse ar que sonha
Num terreno tão fecundo!!!
.

Francisco Setineri

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...