domingo, 2 de setembro de 2012

Soneto Singelo



Perfeita é a rosa que afinal espera
No simples gesto que esta mão ensaia
Aguarda só que o teu receio caia,
Dissipe o medo de quem te venera...

Desvelo aflito preso na quimera,
Singela voz, que espreita na tocaia
E o verbo denso que jamais desmaia
Coloca os lábios numa mesma esfera...

No raro anseio, próprio de quem sente
E audaz transita, feito alma curiosa
Não hás de andar, assim, impenitente,

Enquanto a sede grito aos céus, furiosa:
Rente ao ouvido é sempre um verso ardente
E o simples tato aquece a mão e a rosa...

Francisco Settineri.

5 comentários:

Mauricio Keller disse...

Olá meu amigo poeta. Seu poema é extraordinário. Meu nome é Mauricio Keller e estou engatinhando nesta ciência maravilhosa. Achei lindo o seu soneto e busquei estuda-lo realizando uma escansão. Verifiquei que os versos 7, 11 e 14 não estão na mesma métrica binária. Será que fiz corretamente esta escansão? Podes me ajudar?

Beijo na alma e obrigado!

Soneto Singelo

1 - A / be/la /ro/sa /que-an/te-a /por/ta-es/pe/ra (2,4,6,8,10) - G
2 - No /sim/ples /ges/to /que-es/ta /mão /en/sa/ia (2,4,6,8,10) - G
3 - A/guar/da /só /que-o /teu /re/ce/io /cai/a, (2,4,6,8,10) - G
4 - Di/ssi/pe-o /me/do /de /quem /te /ve/ne/ra... (2,4,6,8,10) - G

5 - Des/ve/lo-a/fli/to, /pre/so /na /qui/me/ra, (2,4,6,8,10) - G
6 - Sin/ge/la /voz, /que-es/prei/ta /na /to/cai/a (2,4,6,8,10) - G
7 - E-o /vi/vo /ver/bo /que /nun/ca /des/mai/a (2,4,6,7,10) - G
8 - Co/lo/ca-os /lá/bios /nu/ma /mes/ma-es/fe/ra... (2,4,6,8,10) - G

10 - No /ra/ro-an/sei/o, /pró/prio /de /quem /sen/te (2,4,6,8,10) - G
11 - E-au/daz /tran/si/ta, /fei/to /al/ma /cu/ri/o/sa (2,4,6,8,10, 12) - G
12 - Não /hás /de-an/dar, /a/ssim, /im/pe/ni/ten/te, (2,4,6,8,10) - G

13 - En/quan/to-a /se/de /gri/to-aos /céus, /fu/ri-o/sa: (2,4,6,8,10) - G
14 - Ren/te-ao-ou/vi/do-é /sem/pre-um /ver/so-ar/den/te (1,3,5,7,9) - G
15 - E-um /bei/jo /do/ce-a/que/ce-a /mão /e-a /ro/sa... (2,4,6,8,10) - G

Francisco Settineri disse...

Bem, Mauricio, os pés em versos não correpondem às sílabas gramaticais. O soneto é em decassílabos, e são desprezadas as sílabas após as tônicas. Mas tu tens razão, no verso número sete, que consertei. Devia ter tônica em 4, 8 e 10, e tinha ficado errada a tônica em 7. Já está revisado, podes ver.
Muitíssimo obrigado pela atenção!

Mauricio Keller disse...

Desculpa-me amigo. É o 7, 10 e 13.

7 - E-o /vi/vo /ver/bo /que /nun/ca /des/mai/a (2,4,6,7,10) - G

10 - E-au/daz /tran/si/ta, /fei/to /al/ma /cu/ri/o/sa (2,4,6,8,10, 12) - G

13 - Ren/te-ao-ou/vi/do-é /sem/pre-um /ver/so-ar/den/te (1,3,5,7,9) - G

Alice Baruch disse...


Mas as rosas não falam...

Elas exalam o perfume de quem as colhe...

Lindo tema.

Francisco.

Serenissima A Voz da Poesia disse...

Belíssimo!
Levei para a sua página na Voz da Poesia.

Abraço.