domingo, 7 de junho de 2015

palavra presa



Quando as palavras se acumulam
deslumbradas com a possibilidade de serem proferidas
e impacientam-se prontas ao menor movimento da boca
a ganhar do mundo a vastidão
É assim a espera de ser dita
ser pronunciada
o destino da palavra
da palavra viva
a palavra brusca
sem descanso para sair
falada
enunciada
Como é difícil para o verso enquadrar tropa tão dessemelhante tão ávida em se encher de vida
no próprio pronunciamento
a possibilidade doida de ser
deixar de ser calada
de finalmente ser largada solta
esperando uma compreensão
que só vem com o corte
com o ponto
que precipita um mundo
ainda não dito
com um peso de morte
Como o golpe fatídico de um ato
Poema que não se compôs
que não conseguiu governar uma fala
que não saiu
a não ser da sofreguidão
bagual que não conhece pontuação nem rédea
cavalo redomão
mulher em estado puro
nem sujeito
nem objeto
puro feminino sem freio.
Espero um sopro
uma possibilidade.
Torneio francês
um não de cada lado
a palavra se acomoda e sai chistosamente ao relento
criada incriada e criadora
sem igual
puro aço
lâmina
carapaça
espaço
memória
como mundos em explosão



Francisco Settineri.

sábado, 30 de maio de 2015

Tensão





Devo dizer que à noite você me dói
Teu rosto de melancolia
Tua presença breve
Nada senão tu me consola


Francisco Settineri.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Crochê



Na velha saga em tanta crua sorte
Fui te encontrar como uma destra lenda
E te tomei como se avista a prenda
Com tanto ardor que eu já me vi mais forte

E então valente no que enfrenta a morte
Que já me espera em sua molesta senda
E sem torpor de quem procura a fenda
No lesto afã de quem calcula o corte!
 
Nas tuas mãos em seu vagar obscuro
Algo se some e em seu segredo tece
Augusta malha que detém o impuro

E nada foi que teu condão esquece
Estou presente em teu amor futuro
E no teu longe o teu olhar me aquece...

Francisco Settineri.

domingo, 10 de maio de 2015

Cambada de mentecaptos



Bem mais dócil do que um cão
A tecer mil maravilhas
Que capengam velhas trilhas
Manifesta-se o Lobão.

Muito antes de crescer
E julgar que era gente
Tolo, jerico e doente
Inflamou-se o bom Lasier!

Antes cedo do que tarde
Cada qual com seu bolor
De mãos dadas com Jabor
Abana o rabo o Mainardi.

E a justiça fescenina
Já mostrou-se indecorosa
Quanta grana se gastou
Nas latrinas do Barbosa?

Abraçada com o Itaú
Ressurgiu bela menina
Sem pintura esta Marina
Mas levando um bom tutu!

Finalmente e coisa e tal
Surge o espectro de Aécio
Desde cedo tolo e néscio
Qual boa-pinta nasal!

Francisco Settineri.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

alados



foi assim
eterna, nesses campos
eu te disse
o quanto eu já te quis
a pele branca
dominar

e foi assim
que me tomaste
e eu te tomei
tornei-me o teu olhar
foste ao luar
e fui azul

Francisco Settineri.

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...