terça-feira, 4 de outubro de 2016

No dia dos anos do poeta galego




Celebro do passado o elmo ferido
Mas pronto pra causar um desconcerto
Na ponte a contemplar o amor partido.

No verso que recebe o que foi tido
Que brande nesta tarde o que é aberto,
Celebro do passado o elmo ferido.

Há muito não se ouvia o tão subido
E tudo se calou como um deserto,
Na ponte a contemplar o amor partido.

Retrato que foi gasto, que foi lido
E as mãos que se cansaram, foi incerto,
Celebro do passado o elmo ferido...

E a bruma, o coração, o que foi ido,
Não bastam pra calar farto concerto,
Na ponte a contemplar o amor partido.

Eu tenho entre minhas mãos o foragido
Calor que me restou e que é desperto,
Celebro do passado o elmo ferido,
Na ponte a contemplar o amor partido.


Francisco Settineri.

domingo, 25 de setembro de 2016

molusco




na mão
que o apertar
talvez
um asco

no fundo
deste mar
é sempre
músculo

Francisco Settineri.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Charmosa




Andas elegante, como a gazela
Sorriso tímido, quando tu escondes
O que não adivinho, e nem sei onde
Que se criou essa alma tão bela!

Mas eu furtivo, à noite, vejo a estrela
E me sinto um gigante, alta fronde
A cobrir e a sonhar, porquanto ande
A buscar a simples paz na procela...

É o que eu sei, desde o começo, que quero,
Mas o que almejo não é desvendá-lo,
Esse sorriso em teus cabelos claros,

Inda que surja em meio ao desamparo
Mais longe está de ser algo severo,
E essa campina alegre de cavalos!


Francisco Settineri.

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...