sábado, 19 de novembro de 2011

Soneto do Laço Colorido




Adoro o teu olhar, teu corpo belo,
E a paz do teu sorriso permanente...
Eu faço de tuas ancas meu castelo,
Nascida para me deixar contente.

Com laços coloridos no cabelo,
Não há noite melhor, que não se invente,
Carinhos na manhã, zelo singelo,
Florido girassol, o amor nascente.

E foi na negra noite o brilho claro
Que ostenta, ao céu distante, a estrela nua,
O gesto de despir, no desamparo,

A calma paz da fronte que é só tua.
Porque, ao te tomar, não sou avaro,
Eu grito o meu amor em plena rua!


Francisco Settineri.

Soneto da Promessa



Ao te encontrar, em teu belo sorriso,
Vestida em flores, na praça, ao vento,
Tão bela é a música do improviso
Que límpida se espalha, ornamento...

Um gesto grácil, no passo brioso,
E essa vista elevada, em monumento,
Fazem de ti um lindo ser bondoso,
Que serve ao coração seu alimento.

Mas guardo para ti o mais terno beijo
E o meu mais fundo amor, puro e constante.
Se ponho em teu contorno o meu desejo,

No clamor da promessa desse instante,
Eu te enlaço, e sempre que te vejo,
Eu sonho, e em cada céu me faço amante!


Francisco Settineri.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Soneto do Improviso



Ao te tocar, em doce encantamento
E descansar o meu rosto em teu seio,
Quero sentir, em cada pensamento,
A paz de manso amor que nunca veio...

Quando surgir de novo o sentimento,
No rebrotar vivaz de um árduo anseio,
Que vá longe de mim todo o lamento,
Ao te fazer brilhar, dourado veio!

Porque tu és dona do meu sorriso,
E da minha vida, tão passageira,
E me tomaste, quase sem aviso,

Como se fosses a mulher primeira.
E quando te amei, quase de improviso,
Meu coração foi teu, pra vida inteira!


Francisco Settineri.

Estrela



Permaneces no momento
Em que te vi, deliciosa,
E no mesmo sentimento
De uma canção amorosa.

Teu olhar domina o vento
E as primícias de uma rosa
Ofertada no invento
De uma alma ardorosa!

Nossos céus, de mil estrelas
São de brilhos permanentes...
Teus olhos, de tanto vê-las,

Traçam purezas recentes.
Amores e noites belas
Marcam-te o corpo, não sentes?


Francisco Settineri.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Menina linda



Essa menina tão bela,
Sangue bom, ternura e trança
Anda como uma gazela
E dança como criança!

A menina bem corada
Persegue a paz, e na vida,
Em aurora pressentida,
É com versos temperada!

A mocinha bem sapeca,
Nesse mel de toda a vida
De carinhos é nascida,
Alma levada da breca!

Encantos de teu sorriso
À sombra das oliveiras,
Teu lindo cabelo aliso
Ao perfume que tu cheiras...

No banquinho eu sentei,
Meu amor já tinha ido,
E de coração sofrido
Bem quietinho eu chorei.

Mas foi quando te encontrei
No caminho desta vida,
Já curei toda ferida,
Eu dancei, pulei, cantei!


Francisco Settineri.

Soneto do Romance



Eu vou te esperar co'as gérberas mais lindas,
Que luzirão túrgidas, em breve sonho,
Para matar minhas saudades infindas,
E atiçar meu desejo, fero e medonho...

Tuas mãos, em meu sossego, são bem-vindas ,
Mas os meus olhos nos teus em breve ponho,
Se em saudade as pupilas são desavindas,
Nasce o momento de tudo ser risonho!

O teu rosto vai vibrar, brilho do instante
Sonegando à vã tristeza alguma chance,
Eu aqueço a nossa pele tiritante

Ao olhares o meu peito de relance...
E no abrigo da amada viajante,
Poesia germinal, seio e romance!


Francisco Settineri.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Soneto do Remanso


 
Tu foste minha, eu sei, grande ventura
De contigo brilhar, em dança e vela,
Remanso de um olhar, em miniatura
Pintada nos lençóis dessa aquarela.

E tu, que vens a mim numa ternura
E quanto mais te vejo, mais és bela,
Ao te encontrar imersa na moldura
E deixar os meus olhos junto à tela!

Mas começa o segundo movimento
Em que te enlaço em grande amor e cordas,
Os meus dedos afinam o instrumento,

E luzes de um olhar, quando tu acordas...
Cabelos que esvoaçam pelo vento
E a sombra das saudades que recordas!...


Francisco Settineri.

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...