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Não consigo esquecer, na minha alma,
Calma imprecisa que tanto me avisa
Quanto de calma um poeta precisa
Pra esquecer o drama de quem te ama?
Panorama de quem não teve a ama,
E que o aleitou, e sempre improvisa
Que fome se dá, e nem sempre avisa,
Mas sempre a berrar, a quem se reclama!
Assim, minha flauta não desafina,
Não consigo esquecer na minha alma,
Que se grava e cujo nome se assina
E nem tento apagar o grande drama,
Marcado a ferro e fogo em minha sina,
Celebro o amor que te tenho, menina!
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Francisco Settineri.
Blog de poesia porto-alegrense. Poemas de Francisco Settineri. Thanks ever so much!
sexta-feira, 8 de maio de 2020
quarta-feira, 6 de maio de 2020
LANCEIRO
É assim que te vejo, em panorama
Indelével marca, mas de improviso
Sorriso que me tira todo o siso,
E me convoca, assim mesmo, pra flama.
É drama que me fez cair na lama,
Jeito que que faz levantar indeciso,
Porém, isso me fez tornar preciso,
Ficar a noite inteira, amor e riso...
Pois que eu te quero muito bem, menina,
Com teu vestido azul e cor-de-rosa,
O teu olhar no meu a mim fascina.
Ai, menina, que eu fico todo prosa,
E a luz do teu olhar é o que alucina
Uns campos verdes e de ação gloriosa!
Francisco Settineri.
ADAGIO
Ouvindo a Sonata ao Luar,
Também a sonhar com teus lábios,
Ai de mim! Como vou te amar?
Na distância de apelos sábios,
Fragrâncias nesse ressoar
Afável e de nota hábil,
Porém, e nunca a presenciar
Teu sorriso radiante e núbil
Mas ah! O teu desencantar...
Francisco Settineri
terça-feira, 5 de maio de 2020
INCÊNDIO
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Eu não quero morrer, Maria,
Não agora, que a mente lúcida
invade a paz e a calmaria.
Porque eu não quero a cara flácida,
Não, eu não a quero, ó Maria!
Morrer no meio dessa ácida,
Túrgida, não, eu não queria,
Maria, sair dessa plácida,
Ávida, eu não sairia
Jamais do centro de tu'alma!
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Francisco Settineri.
Eu não quero morrer, Maria,
Não agora, que a mente lúcida
invade a paz e a calmaria.
Porque eu não quero a cara flácida,
Não, eu não a quero, ó Maria!
Morrer no meio dessa ácida,
Túrgida, não, eu não queria,
Maria, sair dessa plácida,
Ávida, eu não sairia
Jamais do centro de tu'alma!
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Francisco Settineri.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Moonlight Sonata
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Eu nunca te vi, Tati,
mas nunca tive escolha,
só te vi em sonhos tímidos.
Não ouvi espoucar a rolha,
nem senti teus lábios úmidos
e minha rosa se desfolha...
Tanto amor, ao vermos unidos,
pele a pele, na mesma folha,
lúcida vez, um dia dados
a voz e a paz que a manhã molha!
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Francisco Settineri.
Eu nunca te vi, Tati,
mas nunca tive escolha,
só te vi em sonhos tímidos.
Não ouvi espoucar a rolha,
nem senti teus lábios úmidos
e minha rosa se desfolha...
Tanto amor, ao vermos unidos,
pele a pele, na mesma folha,
lúcida vez, um dia dados
a voz e a paz que a manhã molha!
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Francisco Settineri.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Mutações
Mutações
(Honi soit qui mal y pense)
As muito belas feras, snipers curdas
miram certeiras o falso muçulmano,
empilham os cadáveres inumanos,
para o choro das viúvas estão surdas!
Que se essa corja que por aí chafurda
Comandada por um general leviano,
E financiada por capital insano,
Não seja muito mais que uma pilha absurda.
Medo de ser morto por mão de mulher,
Ele sabe que nunca verá o inverno
Não vê o rosto da que o mandou pro inferno,
Sua vida não dura um segundo sequer:
Não terá oitenta virgens, vai-se ater
Ao esquecimento mais do que o eterno!
Francisco Settineri.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Sonetilho em Pessoa
Teu sorriso, em teu silêncio
anuncia a voz querida,
aplaca qualquer ferida
abre toda ponte pênsil
Onde acaba o meu silêncio.
E a memória, malferida,
do teu olhar bem sentida:
teu olhar no teu silêncio...
A vida, amor, é só uma,
ergue-se ou não a taça,
coberta, eu sei, duma espuma.
Não há um ardor que a faça
mover-se assim, uma bruma:
poeta, antena da raça!
Francisco Settineri.
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O SOM DO SILÊNCIO
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