domingo, 18 de setembro de 2011

Canção de amor – Soneto X

                                                           

Com alcaparras e mel,
Leito, sabor e delícias,
Suave passar do tempo
Ao nos fazermos carícias.

Dou-te, morena, essa flor,
Para que a tenhas nas mãos.
Lembra sempre do suor
De nossos mansos prelúdios.

Pois quando nos afastamos
Só te revejo no anel,
Testemunha de que amamos.

Se a fel recende a distância,
Eu te chamo, já sem ânsia,
Inda que seja a destempo.

Francisco Settineri.

sábado, 17 de setembro de 2011

Canção de amor – Soneto IX

                                                                    

Morena, retira o véu,
E essa sombra emoldurada
Em tua face, há tanto tempo
Guardada. Nunca mais temas

De um amor o braço forte.
Eu te traduzo em poemas:
Com sorte, sem contratempo,
Irão te indicar o Norte.

Em teus seios, meus emblemas
Vão te levar até Marte.
Eu te peço, não mais penas,

Mas deixar-se ir com arte,
Ser beijada em toda parte
Com alcaparras e mel.

Francisco Settineri.

Canção de amor – Soneto VIII

                                                                   

Todo um caravançarai
De frutos, flor e perfume
É o que bebo com fervor
De teus olhos sem queixume.

Pois eles são como sóis
Iluminando o caminho,
A me indicar como queres
Que eu te faça um carinho.

Quando fulguras no céu,
Invejam-te outras estrelas
Por não terem tanto amor.

E digo, perdido em bemóis,
Repousando em nosso ninho,
- Morena, retira o véu!
Francisco Settineri.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Canção de amor – Soneto VII

                                                                                                                                                               
Velo até à alvorada
Em penumbra e acalanto,
Com a pele em brasa quero
Aconchego, ser teu manto.

Tentando com todo esmero,
Em vão, morena, que sejas
Minha, do fim ao começo,
Ou que pelo menos finjas.

Mas não queres ser cativa,
Ou te preferes furtiva.
Se te busco não encontro,

Em Paris, Quito ou Xangai.
És pra mim bem um descanso,
Todo um caravançarai.

Francisco Settineri.

Canção de amor – Soneto VI

                                                                                                                                                   

Em teu corpo, que desteme,
Brota mais que uma coragem.
Mostra-se em mim outra fome
Que a minha alma consome.

Porque, morena, meu peito
É vulcão e sua voragem
Toma-me, e a contragosto,
Devolve-me para a margem.

Mas tu tens sereno jeito,
E a fronte iluminada.
Nossos braços nos envolvem

Em fragor e alta voltagem!
Quando adormeces, cansada,
Velo até à alvorada.
 
Francisco Settineri.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Canção de amor – Soneto V

                 


O soneto agora geme,
Adornado em redondilha,
Dito em voz ora solene,
Ora em trova andarilha.

De madrugada, em dueto,
Tocamos as nossas cordas
Em pungente melodia.
No corpo-a-corpo fremente,

Lábios em cor maravilha
E peles em contracanto!
Só peço, morena, o encanto

De pousar o olhar discreto,
Mesmo que ainda faminto
Em teu corpo, que desteme.

Francisco Settineri.

Canção de amor – Soneto IV

                                                            
Em sombra, sonho e canção,
Arrebata-se o meu verso.
És minha paz, o meu leme,
Meu céu, luz e o universo.

Entre tuas mãos, tão risonhas,
Esconde-se o tão diverso.
Encantado em tanto amor,
Tanto, que o corpo já treme!

Murmurando por teu calor,
Ergue-se o meu estandarte
E abre-se meu vôo em flor.

Vem, morena, e faz tua parte:
Debruçado em teu mistério,
O soneto agora geme!

Francisco Settineri.

O SOM DO SILÊNCIO

.   Fim da tarde, o sol se esconde, E, por fim, a lava escorre Deste Etna que não morre, E que vai não sabe onde... . O fogo parece fronde. ...