Blog de poesia porto-alegrense. Poemas de Francisco Settineri. Thanks ever so much!
domingo, 29 de setembro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
A Morte do Poeta
Surgido
em ti qual flor que me depara
Com
tintas decididas do poente
O
espectro então penetra o calmo dente
e
livra do teu dorso aquela escara!
Alenta-se
na mente o que lembrara
O
encontro em destemor que esteve à frente
E
o gesto que se foi e está dormente
Espalha
a doce imagem que foi cara...
Na
face a dor que mansa nos ensina
O
fato de existir, raro portento
Da
terra cuja espera já termina
Afasta
da feição o parco augúrio:
No
enlevo de abraçar que é firme e lento,
Da
vida o ardor que acaba num murmúrio...
Francisco
Settineri.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
metamorfose
a angústia me consome
avatar da morte incerta
carapaça e nó que aperta
o meu mundo que se some
Francisco Settineri.
sábado, 31 de agosto de 2013
Ofertório
Névoa
que desfaz um tosco eu em cinzas,
Ao
não ser então mais do que essa outra bruma
No
discreto olhar que até que enfim se apruma
E volta invertido pela correnteza...
Plano
que devolve o nada que desprezas,
Resto
especular do nexo que se esfuma
Preso
na ciranda ao deixar-se, em suma
Mal
se abandonar à morte sem grandeza!
O
calor de ontem hoje busca um norte
Que
nos faça dois nas núpcias deste drama
E
que lance as marcas de um abraço forte,
Sulco
milenar em repetida trama:
Peso
mineral que o horizonte entorte,
Vento
sideral que lento se esparrama...
Francisco
Settineri.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Réquiem
Cantar
eu não quis mais em verso rude
A
olhar com destemor, intacto e quedo
Recolho a brisa que corre em segredo
Disposta
a desnudar qualquer virtude.
Contemplo
as minhas mãos, para que mude
A
espera que me toma desde cedo
E
pus-me a deslizar, então sem medo
Por
entre agudas pedras da inquietude...
Aferro-me
a um sinal, que de saída
Furtava-se
à noção e parecia
Desenterrar
a dor mais desabrida
Vertido
em tom de olhar que a luz copia,
De
uma sombria tela, tosca e ida
Roubei
a cor que não te pertencia...
Francisco
Settineri.
domingo, 7 de julho de 2013
Sentinela
Imerso
na neblina o vulto inquieto
Engasga
na distância que o separa
Do
gesto que se esvai, pétala rara
Sem
escapar do inclemente veto.
Douradas
as veredas no indiscreto
Tremor
de uma palavra que era cara
Que
o zelo esconso da memória avara
Insiste
em apartar-se por completo.
Não
fosse por um laço, amarelo
E
mais eu não teria se não fosse
Um
desatar de nós sem atropelo
Da
noite em riso azul que assim tomou-se
No
deliciar dos dedos no cabelo,
Passado
a escorregar, que era tão doce...
Francisco Settineri.
sábado, 29 de junho de 2013
a
Saber
teu rosto em paz há muito alegra
Aquele
olhar antigo a ver ainda
Que
a fonte enfim traz algo que não finda
Imerso
nessa luz que desintegra...
E
mesmo bem depois que a face negra
Alente-se
na nova aurora vinda,
Ainda
lembrarei, tristeza infinda
De
tudo o que é perdido, como regra.
Mas
nada a não ser canto a ti prometo
Pois
sei do mundo por estreita senda.
Entrego
as poucas linhas que cometo
E
mais não sei fazer sob encomenda:
No
mar do teu encanto eu me acometo
Avesso,
o verso avista e o véu desvenda!
Francisco Settineri.
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O SOM DO SILÊNCIO
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