sábado, 17 de setembro de 2011

Canção de amor – Soneto VIII

                                                                   

Todo um caravançarai
De frutos, flor e perfume
É o que bebo com fervor
De teus olhos sem queixume.

Pois eles são como sóis
Iluminando o caminho,
A me indicar como queres
Que eu te faça um carinho.

Quando fulguras no céu,
Invejam-te outras estrelas
Por não terem tanto amor.

E digo, perdido em bemóis,
Repousando em nosso ninho,
- Morena, retira o véu!
Francisco Settineri.

Um comentário:

Reflexo d'Alma disse...

Escrevendo assim me lembra Neruda...Talvez

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...
Pablo Neruda
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