quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Motivos

                                                                                                                                                                                                                          

Eu te amarei sem parar, porque em mim despertaste
Um amor adormecido, e ele se espelhou,
Infante, em teu olhar que sorriu.

E eram sonetos nonatos, que te escrevi,
E se demoraram em iluminar tua face, antes amarga.
Pois por ti surgiram meus versos mais tristes,
Que te envolveram em sonhos, mantos, véus e marfim.

E os meus dedos apenas roçaram tua alma,
Quando as asas da noite se curvaram,
Ao som da canção sem fim.

Porque tu regaste, na madrugada, os meus devaneios,
E o poema brotou na manhã, sulcado de mistério.
Porque eu te amei calado em cada palavra que dizias,
E em cada gesto que esperava, em vão, de ti.

Porque vieste a mim em um silêncio obscuro
E não quiseste entrar. Mas de mim não saíste.
Eu te amarei porque gritaste o meu nome no meio do nada.
E do nada acordei.

Francisco Settineri.

Um comentário:

poemasemfoco disse...

Lindo, Francisco. Lindo demais! Emocionante, meu caro poeta.