quarta-feira, 28 de março de 2012

Soneto do Amor que me Devora




Eu nunca imaginei que fossem tão belos
Teus braços talhados na pura distância
E a volúpia do olhar na presta elegância
De um louco sonhar, a erigir castelos...

Oh! Quanta dor, de uma saudade os flagelos
Debruados na dor da mais dura ânsia
A não encontrar um bálsamo na instância
De lembrar de ti nos momentos singelos.

Pensei, morena, que eu não tinha mais jeito,
Que me esperava funda a mais dura vala
Manchada no sangue de um verso escorreito.

Foi quando tuas mãos urdiram a cabala
De um arlequim triste para um peito eleito
Com teu raro condão que só me avassala!


Francisco Settineri.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Soneto da Dor da Saudade




Mais infringente que medonhos ócios
Falta de paz que o meu corpo devassa
Essa lembrança, que a noite atravessa.
Eu tremo no cio de aflitos silêncios.

No condomínio de esgares tão néscios
Que essa tua ausência impõe e amordaça:
Nesse centauro, caçador e caça,
Ímpios, gelados, implacáveis vícios...

Mudos passos ecoando na alma,
Frio da saudade, enregela-me o tento,
Porque então, se te amo tanto, o tormento?

A marca de um beijo é só o que me acalma,
Mil cães ferozes mordendo minh’alma
E a dor a girar, atroz catavento!

Francisco Settineri.

Soneto da Ausência




Nosso tempo de canção me foi tão avaro
E entre um passo de dança e outro passo de dança
Foi todo um compasso que me veio à lembrança
E deixou numa noite esse vil desamparo.

Aperto no peito, na boca um travo amaro!
Se na doçura dos olhos eu fora criança,
Na espessura das trevas é o tormento que avança
Nas noites insones que em desespero varo.

No mais, saber que restou o nada por diante
Que habita o terreiro que a saudade perfura...
Ah! Saber hoje que a tua pele está tão distante!

Falta de tomar teus cabelos com ternura,
Ver o brilho vivaz em teu olhar radiante,
Espécie de morte que a tua ausência inaugura...

Francisco Settineri.

domingo, 11 de março de 2012

Soneto Decidido




Eu canto da amada a moradia
Que se tornou seu corpo por inteiro,
Onde se aninha toda a alegria
E inflama no meu céu o amor primeiro...

Teu manso riso é claro como o dia
E o teu olhar é puro e verdadeiro.
Só sei que antes disso o que eu sentia
Perdeu-se em rara bruma, nevoeiro!

Eu busco-te na vida em cada gesto
E o decidido passo a teu recanto
Embala na garganta o meu protesto

E afina esse meu embargado canto:
Eu ardo nesse tom que manifesto,
E acabo, de uma vez, com esse teu pranto!


Francisco Settineri.

Alva lua



A alva lua
brilha nos campos.
Espio sua luz,
e lembro em sonhos
daquela que surge calada.

Oh! bem-amada!

Reflete-se na grama,
e perfila-se imprecisa
Ao vento que assobia!

É hora, o mocho pia...

Assim como desce
a calma infinita
do pensamento
que a lua frisa.

Não lamentemos:
É a hora precisa.

Francisco Settineri.

sábado, 10 de março de 2012

Soneto Esgualepado




Tomado na ventura o sonho audaz
Que vota para ti o peito inquieto
E longe dos meus olhos o decreto
Que só em teu sorriso encontro a paz!

Consolo na lembrança é tão fugaz,
Pois olho  pela casa e encontro o veto
Da ausência que me toma por completo,
E aperta o coração feito tenaz...

Vontade do teu colo, a flor tortura,
Saudade do teu beijo inebriante,
As mãos enternecidas à procura

Daquilo que recolhes, ao distante...
Eu resto no compasso da tão dura
Espera de tomar teu braço amante...


Francisco Settineri.