sábado, 11 de janeiro de 2014

Janus



Eu torço a luz de volta ao céu de sonho
E cresce a maravilha no horizonte;
Engasto a pedra em brasa ao chão tristonho
E espero ajoelhado ao deus bifronte...

Mas tudo é vã minúcia ao trom tamanho,
E o inferno que sibila nesta fonte
Desaba e assa todos um bom rebanho,
Fiéis e bestas que não há quem conte!

Aspiro o fel da fétida fumaça
E tiro as jararacas de suas manhas,
Enquanto me divirto com chalaças

E fujo dos espectros com suas suas sanhas:
Desata agora a corda que te enlaça!
Arranca agora o grito das entranhas!

Francisco Settineri.

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