quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Soneto Soturno



Eu pinto o que foi sonho em aquarela
E vejo a luz fugir do horizonte
Oferto o olhar tão simples que foi dela
E apaga-se toda a calma da fronte.

Foi Deus que me afastou desta estrela,
Me fez beber da água dessa fonte
Que um dia foi só fresca e era bela
E hoje, muito insípida e bifronte.

É sempre no passado essa querela,
Que trai da paz perdida o passo errante
E lenta uma agonia que martela,

Num céu que foi diverso, fulgurante.
Mas nunca há vez bastante para tê-la,
Estou sempre a perder-te, alma distante.


Francisco Settineri

Um comentário:

sirley v.alves disse...

Me fez beber da água dessa fonte...agora não sacio minha sede de poesia... de tão belo é o que encontro aqui.