segunda-feira, 28 de abril de 2014

Indecoroso



Vem, moça, vem, que o poeta já te espera
Alta está a noite, e é passada a hora,
Desfazer os laços e tornar senhora,
A razão se vai e o desejo impera!

E teu nome, que a memória refrigera
Lembra-me contudo que é sem demora
Tomar as tuas mãos, esperar a aurora
Ambos recolhidos numa mesma esfera...

Quero o benfazejo da tua face nua
Corpo contra corpo na veloz cantiga
Fazer tu saberes que a flor é tua

E essa alvorada é nossa inimiga:
Quando os galos cantam e o orvalho sua
Vai que nossas peles terminaram a briga!


Francisco Settineri.

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